Capelinha

A primeira vistoria do ano foi feita no extremo da zona sul de SP. Iniciando no Terminal João Dias, um dos principais terminais de ônibus da região, seguimos a pé no sentido Capão Redondo.

Falar em acessibilidade em São Paulo já é complicado, agora, quanto mais longe da região central maior, é o descaso e a falta de respeito.  Logo que chegamos ao Terminal João Dias e saímos às ruas, nem precisamos andar muito para começar a ver os problemas.

Carros invadem a calçada próximos a um ponto de ônibus

Na esquina das ruas Itapaiúna e Afonso Vidal, nada de rampas para travessias em nenhum dos lados; para um cadeirante atravessar a rua ali, só da maneira mais perigosa, ou seja, pela própria rua.  Seguindo adiante, ao chegar na rua Projeta, o pedestre faz uma verdadeira maratona em meio aos inúmeros buracos na calçada; em frente ao número 278 é impossível transitar sem correr o risco de torcer o pé.

Muitos comerciantes ocupam as calçadas com postes, caixotes, cones e correntes com a alegação de que se não fizerem assim motoristas estacionam em cima da calçada.  Os comerciantes comentam que a CET (Companhia de Engenharia e Tráfego) só se faz presente durante os horários de pico.

Observamos que os cruzamentos ao longo da Avenida Estrada de Itapecerica em sua maioria não possuem rampas para travessia, mesmo diante da enorme quantidade de pedestres cadeirantes e muletantes.

A rua Estevão Cunha é outro clássico exemplo da ausência de rampas. Já mais próximo ao Hospital do Campo Limpo a situação é um pouco melhor.

Na altura do número 54 da Estrada de Itapecerica a calçada tem tantos buracos que é impossível caminhar por ela.

Mais a frente próximo aos números, 910, 970, 1120, 1400, 1420, 152, 1578, 2188, 2250, 2720, 2830, 2976, a mesma situação: buracos e mais buracos.

Para atrapalhar a acessibilidade, além de buracos também nos deparamos com muitos motoristas mal educados que, na pressa, ocupam as calçadas para pagar contas e fazer compras. Alguns carros chegam a ficar 30 minutos estacionados em cima com as quatro rodas na calçada.

Durante a vistoria, muitos comerciantes curiosos nos perguntaram o que estávamos fotografando, oportunidade na qual aproveitamos para orientá-los. A maioria diz a mesma coisa: “a falta de respeito decorre da falta de educação e de fiscalização”.

Chegamos nas imediações do terminal Capelinha, onde encontramos um cadeirante que desce ali todos os dias e se queixou que do lado de fora do terminal existe uma área de desembarque para quem está de carro, só que motoristas a utilizam como área de estacionamento, impedindo que qualquer pedestre embarque e desembarque com segurança.

A partir do numero 3.700 e até o 3.914 é preciso redobrar a atenção. Muitos buracos e carros tomam conta das calçadas. Na Estrada de Itapecerica, altura do 4.636, mais buracos, buracos, buracos.

Um cruzamento muito movimentado também chamou nossa atenção na altura do número 4.856 da Estrada de Itapecerica com a Avenida Carlos Lacerda: nada de rampas, ali cadeirante para atravessar, só com a boa vontade de alguém.

Saindo um pouco da Estrada de Itapecerica (com buracos e desnível na altura do 5.200, 5.600 e 6.818) entramos na Avenida Dom Rodrigo Sanches e nem precisamos andar muito: na altura dos números, 202, 87 e 95, obstáculos de ferro colocados para impedir que motoristas estacionem atrapalham a passagem do pedestre. Um deficiente visual lá de Alphaville nos disse que o apelido destes obstáculos é “Capa Cego”. Aaiiiiiii.

Mais carros invadindo a calçada, atrapalhando pedestres com deficiência ou não

Em alguns trechos as pessoas tem de andar pelo asfalto, pois é impossível transitar. Esta avenida é uma via com declive e aclive muito acentuado o que já atrapalha o vai e vem e ainda conta com muitos desníveis.

Todo trecho vistoriado pertence à Subprefeitura do Campo Limpo, a quem iremos oficiar as irregularidades constatadas. Nestes trechos estão compreendidos os bairros Vila das Belezas, Pq. Ararariba, Jd. Germânia, Campo de Fora, Capão Redondo, Jd. das Rosas, Jd. Ligia, Jd. Irene e Capelinha.

Mais de 80% dos comércios por onde passamos não tem acessibilidade. Resta agora contar com a participação de todos denunciando calçadas irregulares, e torcer pra que a Prefeitura de São Paulo fiscalize e faça ser cumprida a lei. Durante toda a vistoria não vimos nenhum carro da CET pelo bairro.

Vale lembrar que já esta em vigor a nova lei de calçadas.

Exerça a sua cidadania e cuide de bem da sua. Lembrem-se: uma calçada acessível melhora a vida de todos.
Ah! E antes que nos esqueçamos, um Feliz 2012 a todos, com muita acessibilidade, é claro.

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