Santana

Os Guardiões foram mais longe para a vistoria desta semana: Santana, principal e um dos mais antigos bairros da zona norte paulistana.

Aproveitamos para ir até lá de metrô para testar a acessibilidade do transporte público – aprovado por nós sem ressalvas! É muito importante dizer que, hoje, quase todas as estações do metrô de São Paulo são acessíveis, oferecendo elevadores, piso de alerta direcional para cegos e deficientes visuais, além de assentos para obesos nas plataformas. O público também pode contar com funcionários treinados para prestar atendimento a qualquer momento do dia e da noite. Sem contar com o interior dos trens, com espaço reservado para cadeira de rodas e cão-guia.

Entrada do Metrô Santana que dá acesso p/Av. Cruzeiro do Sul

Em suma, “Selo Guardiões” para a acessibilidade da estação Santana!
Partindo para as ruas, nossa vistoria da semana passou pelos seguintes locais:

– Praça Heróis da Feb
– R. Dr. Cesar
– R. Braz Leme
– Av. Voluntários da Pátria
– R. Darzan
– R. Leite de Moraes
– Av. Cruzeiro do Sul

A Cruzeiro do Sul, avenida de maior acesso entre a zona norte e outras regiões, é conhecida por todos pela sua extensão. Atualmente, a via ficou famosa por conta da exposição de grafite que percorre o trajeto do shopping D até o a estação Santana do metrô. O projeto de galeria a céu aberto foi definido em maio deste ano e contou com a colaboração da Secretaria do Estado de Cultura e do Metrô. A iniciativa deu espaço para cerca de 70 artistas, que puderam deixar sua marca na avenida, deixando-a muito mais colorida e bonita de se ver!

Como pedestre e cadeirante, não tivemos grandes problemas para circular na região: a calçada é ampla e sem buracos, tornando o passeio confortável e livre de obstáculos para cegos e pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida.

Mas, como nem tudo é perfeito, nos deparamos com algumas “pedras no caminho”, como displays de lojas no meio da calçada, rampas e floreiras sem sinalização do piso tátil – perigo para um cego que pode sofrer um esbarrão ou até mesmo uma queda.

Floreiras sem sinalização podem ser um perigo para cegos

A região também é cercada por comércios – algumas ruas são compostas só por lojas. Muitas sem acessibilidade, fato que vem se tornando “rotineiro” para nós. Pois é, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida não têm direito de comprar nada… Bola fora dos comerciantes!

Dos problemas que encontramos por lá, o que mais nos chamou a atenção foram as rampas de acesso para travessia de pedestres. Elas estão lá, de fato. O problema é que não adianta ter rampas à disposição se entre estas e a rua existirem buracos e desníveis. O que era para ser um recurso para a mobilidade do cadeirante torna-se outro obstáculo.

Contudo, não podemos deixar de dizer que muitas obras vêm sendo feitas na região, e a acessibilidade, felizmente, vem sendo pensada em todas elas. A ilha entre a Rua Voluntários da Pátria e a Braz Leme está em reforma, mas o acesso para a travessia já está pronto, novinho!

E como sempre encontramos guardiões, desta vez conversamos com o Rivaldo, que é da Associação de Moradores de Santana. Segundo ele, há alguns locais na região que ainda não possuem acessibilidade. Entre eles, o Bom Prato, projeto de restaurantes populares criado pelo governo de São Paulo. O BP de Santana fica instalado na Rua Dr. Zuquim, nº 532.  Fica aí o recado.

É muito legal encontrarmos pessoas que lutam pelo bairro onde moram. Se em cada região existisse um Rivaldo, com certeza os locais seriam muito mais conservados!

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